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Novas incursões à vista: lembranças e despedidas à História dos Estados Unidos

  • Writer: Relicário da História
    Relicário da História
  • Jun 30, 2021
  • 6 min read

Com o fim do semestre, chegamos ao fim da temática voltada a História dos Estados Unidos da América e estamos prontas para tomar o próximo passo em relação a página e remodelarmos, nessa esteira, o nosso recorte histórico, buscando novos territórios, novos períodos, novas fontes e novas abordagens. Porém, não poderíamos fazer isso sem antes despedirmos desses documentos, eventos e recortes que nos acompanharam durante estes meses. Tendo isso em vista, preparamos uma breve despedida, buscando relembrar algumas questões trabalhadas por nós, as quais nos marcaram de alguma forma especial, e, por fim, convidamos a todos os nossos leitores a retomarem esses textos com a equipe do Relicário da História.


Amanda F. Siscon:

As novas mídias ofereceram novos espaços na qual um historiador pode ocupar, com efeito, contribuir para a divulgação do saber histórico através do Relicário da História favoreceu para concretamente apresentar nosso trabalho para um público que não fosse restrito a Universidade e propriamente aos pares da academia, mas empreender nosso ofício enquanto historiadoras numa modalidade de História Pública. Diversos temas foram trabalhados e fontes foram analisadas para compor a divulgação do nosso recorte espacial – Estados Unidos da América –, contudo, fazendo uma retrospectiva daqueles que pessoalmente foram marcantes, destaco nessa breve trajetória – mas ansiando ser longa com a equipe do Relicário – as confissões de Nat Turner no condado de Southampton (Virgínia). Evidenciamos como o aspecto religioso cristão esteve internalizado na figura deste líder (Nat Turner) ao projetar uma rebelião, tendo ainda em vista o ideal de missão recebida por Deus e como sua presença estaria representando um conflito pela liberdade. Além disso, podemos destacar sua percepção da revolta, consistindo na compreensão de que Deus estaria manifestando vestígios durante sua atuação – aliás, o próprio início do episódio ocorreu por essa via, pois Turner depositou no aspecto no Sol uma apresentação “anormal” e, portanto, seria um indício divino para iniciar a ação. A fonte analisada, por sua vez, foi um interessante vestígio para poder investigar o contexto da escravidão no país, bem como indagar a produção do documento (no caso redigida pelo advogado Thomas Ruffin Gray) quando Turner encontrava-se ainda na cela antes de seu julgamento. Caso tenham o interessante em saber sobre a fonte e a resistência escrava, confiram o nosso texto presente no site!


Vitória Marchetto:

Dentre os diversos temas trabalhados pelo Relicário da História entre os meses de abril e junho, um dos que considero mais marcantes é o Destino Manifesto, que contou a história a expansão para o Oeste dos Estados Unidos da América e da construção, pelos mórmons, da American Transcontinental Railroad. Além do trabalho em torno da música Echo Canyon, de autoria atribuída a esses homens, que a teriam cantado durante a construção da ferrovia, o texto elaborado pela equipe também elencou os principais aspectos econômicos, políticos e, sobretudo, religiosos, que acarretaram no deslocamento de parte da população norte-americana para esses territórios considerados desocupados – ainda que povos indígenas habitassem essas paragens. Entre tais aspectos, destacam-se a busca por metais preciosos, as perseguições que vinham sofrendo os mórmons e a crença de que esse êxodo consistia em uma missão divina atribuída ao povo americano. Vale ressaltar ainda, como incentivo político, a elaboração da Homestead Act de 1862, determinação que se empenhou na doação de terras para aqueles que se comprometessem em ocupar o Oeste. É como consequência da política de terras deliberada por tal ato – que também forneceu lotes a companhias ferroviárias – e da expansão para essas novas localidades, que tem lugar a construção da American Transcontinental Railroad, a qual atuou na conexão entre Atlântico e Pacífico e que foi finalizada pelos imigrantes mórmons, personagens de destaque na conjuntura trabalhada pelo texto.


Vitória S. A. Ramos:

Durante esse período de publicação, trabalhamos diversas temáticas importantes para a compreensão da história dos Estados Unidos da América no desenrolar do fim do século XVIII ao fim XIX, encerando nossas postagens com a recepção de Mark Twain ao século XX. Abordamos diversas possibilidades de fontes históricas, apresentando uma das possíveis perspectivas para determinado evento e uma forma de abordagem e interpretação, procuramos a todo momento deixar claro para nossos leitores que o objeto central da produção histórica é o documento e que através dele podemos tecer as nossas perguntas para determinado período. Ao trabalharmos as questões voltadas a Guerra Civil, algo que marcou profundamente a forma que observo esse evento foi a leitura das cartas enviadas pelos soldados aos seus familiares, amores e, especialmente, ao presidente Abraham Lincoln. Lendo um pouco mais sobre o sacrifício destes homens a causa, a idade que tinham e observando que nem todos estavam ali com a benção de seus pais, permitiu-me entender o respeito que os estadunidenses possuem para com os seus soldados, o qual, através do trabalho com o discurso de Lincoln no evento de Gettysburg, percebi ser uma reverência há muito tempo cultivada. A carta enviada por Arthur Strong ao décimo sexto presidente, não mostra apenas o fim da esperança deste soldado para com a vitória do Norte conflito, mas também que mesmo em face da morte e apesar das perdas, ele mantinha suas convicções sobre o que estavam fazendo, acreditando ser aquilo o correto. Não sabemos se sua correspondência chegou ao destino, ou, caso sim, se foi lida, mas tal relato é uma fonte privilegiada para o estudo deste conflito, carregando, seja em suas cartas ou em seu diário, todas as convicções deste jovem rapaz sobre a guerra.


Camila C. Filletto:

Ainda sobre as diversas fontes trabalhadas pela equipe do Relicário, a A Proclamation by the President of the United States of America, discurso proferido por Lincoln em 1863 para a oficialização do dia de Ação de Graças, e o Thansgiving Hymn, música produzida no mesmo ano, também foram outros documentos que nos fizeram entender o peso político que um feriado nacional teria na história de um país. Além de relembrar as experiências dos primeiros colonos e de seu contato com os povos nativos, o Dia de Ação de Graças também seria uma comemoração que evocaria o sentimento religioso e coletivista entre os americanos, ponto esse que se tornaria chave para a proclamação do feriado em meio a Guerra Civil. Mais do que uma data comemorativa, o Dia de Ação de Graças atuou como um elemento estruturante na sociedade americana, ligando-se a memória dos primeiros colonos fundadores, a união e o sentimento religioso de pertencer a uma única comunidade divina destinada ao progresso.


Ana Laura G. Batista:

Nesses quase três meses de Relicário, meses de muito trabalho e dedicação, acredito que a nossa última postagem sobre o discurso de saudação do século XIX para o XX do escritor e humorista Mark Twain tenha um valor especial para mim. Isso porque ela representa muito do que esse projeto me proporcionou: o contato com fontes e conteúdos da História dos Estados Unidos das quais eu nunca tinha sequer ouvido falar e a chance de produzir algo a partir disso para pessoas que não necessariamente estão inseridos nesse meio acadêmico. Essa oportunidade de compartilhar o nosso conhecimento sobre a análise de fontes e sobre a importância de se pensar o lugar de produção desses documentos, os momentos históricos que os tornaram possíveis, com amigos, familiares, professores e desconhecidos, foi e está sendo uma possibilidade de aprendizado e de crescimento pessoal indescritível.

O texto sobre a crítica e a obra de Samuel Clemens (1835-1910), mais conhecido pelo pseudônimo de Mark Twain, partindo do seu discurso irônico publicado em 1900 no Mineappolis Journal, nos convida a refletir sobre os impactos que a Doutrina Monroe declarada em 1823 proporcionou à política externa norte-americana no decorrer no século XIX e, sobretudo, no período imediatamente anterior à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). As novas demandas e reservar decorrentes do movimento de expansão para o Oeste também foram essenciais para que os Estados Unidos passassem a conceber as questões internacionais envolvendo o país como assunto de interesse político nacional. E é exatamente ao caráter imperialista assumido pelos EUA em suas atuações militares e diplomáticas nas regiões da América Latina e do Pacífico que o nosso escritor direciona a sua crítica no discurso analisado. Anti-imperialista assumido, ativo nos movimentos contrários a essa política externa e de um espírito inventivo, Twain busca ressaltar a violência e a hipocrisia dos discursos políticos que argumentavam a favor da libertação e da pacificação como justificativa das ações estadunidenses no exterior.

Assim, nada melhor que um discurso de saudação como nossa última postagem dessa primeira etapa do Relicário para, propositalmente, deixá-los com um gostinho de quero mais! Agradecemos imensamente a todos aqueles que nos acompanharam e apoiaram desde o início do projeto e gostaríamos de cumprimentar os que estão chegando agora: sejam bem-vindos ao Relicário da História.









The Confessions of Nat Turner (1832)








Mapa mostrando a nova rota transcontinental da ferrovia do Atlântico e Pacífico e suas conexões (1883)








Arthur Tappan Strong letter to President Abraham Lincoln (c.1862)















A Proclamation by the President of the United States of America" (1863)














Facsimile correspondente ao manuscrito do texto A Salutation Speech from the Nineteenth to the Twentieth Century (1900)

 
 
 

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